
Num dia em que a morte de Steve Jobs está a marcar as notícias, já foi revelado o novo Prémio Nobel da Literatura: o poeta sueco Tomas Tranströmer. O psicólogo e tradutor, tem 80 anos e a sua poesia é muito influente no seu país de origem. Traduzido em mais de 30 línguas, ficou afásico e hemiplégico na sequência de um AVC em 1990. Este prémio tem um valor ainda mais importante visto que desde 1996 que a poesia não era premiada pela Academia Sueca. Era já um dos grandes favoritos a ser laureado no passado ano, quando foi Mário Vargas Llosa o escolhido. Entre os motivos para esta distinção, a Academia destaca que "através das suas imagens translúcidas e condensadas, o poeta dá-nos um novo sentido à realidade". Entre os poemas do autor encontram-se dois particularmente íntimos do nosso país: "Funchal" e "Lisboa", que publicarei nos próximos dias. Infelizmente, este ano não posso deixar as informações sobre as obras traduzidas para português... porque elas não existem. Esperemos que o Nobel seja o motor para que as editoras portuguesas peguem nas obras do poeta.
"Farto de todos aqueles que com palavras fazem palavras mas onde não há uma linguagem;
Dirigi-me para a ilha coberta de neve.
A veação não conhece palavras.
As páginas em branco dispersam-se em todas as direcções.
Eu dei com vestígios de cascos de corça na neve.
Linguagem, mas nenhuma palavra."